Tesouro Direto · Atualizado em

Tesouro Direto para Iniciantes: como funciona, quanto rende e como começar com poucos reais

O Tesouro Direto é considerado o investimento de menor risco de crédito do Brasil e pode ser acessado com poucos reais. Neste guia, você vai entender como funciona, a diferença entre os três tipos de título e como começar hoje mesmo sem precisar entender de mercado financeiro.

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do Governo Federal, criado em 2002, que permite a qualquer pessoa física comprar títulos públicos pela internet. Em linguagem simples: você empresta dinheiro ao governo, e o governo devolve com juros em uma data futura. É a forma mais direta de investir na dívida pública brasileira.

Antes do Tesouro Direto, esse tipo de investimento era exclusivo de grandes bancos e fundos institucionais. Hoje, qualquer pessoa com uma conta em corretora consegue comprar um título: desde novembro de 2024 não há mais um valor mínimo fixo (antes era R$30) — a regra é comprar pelo menos 1% do valor de um título, então o mínimo varia por título e aparece no site do Tesouro Direto. Muitas corretoras não cobram taxa própria de custódia, mas a B3 cobra 0,20% ao ano, calculada proporcionalmente aos dias e debitada em eventos (resgate antecipado, vencimento ou pagamento de juros) — não há mais cobrança semestral em janeiro e julho. O Tesouro Selic é isento sobre o estoque de até R$10.000 por CPF (a taxa incide só sobre o que exceder); IPCA+ e Prefixado não têm essa isenção, e RendA+ e Educa+ têm regras próprias. Consulte sempre as regras vigentes em tesourodireto.com.br.

O Tesouro Direto é considerado o investimento de menor risco de crédito do Brasil, porque o emissor é o Governo Federal — a mesma entidade que emite a moeda e arrecada impostos. Isso não significa ausência de risco: se você vender um título antes do vencimento, recebe o preço de mercado do dia, que pode ser menor que o valor aplicado. Com a Selic alta, o Tesouro Selic costuma render mais que a poupança, e por isso é um ponto de partida comum para quem quer sair dela — a escolha, porém, depende do seu prazo e do seu objetivo.

Os três tipos de título: qual a diferença?

Existem três famílias de títulos no Tesouro Direto, cada uma com uma lógica diferente de rendimento. Entender as diferenças é o passo mais importante para escolher o que faz sentido para o seu objetivo.

1. Tesouro Selic — o mais conservador

O Tesouro Selic rende de acordo com a taxa Selic, que é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Se a Selic estiver em, por exemplo, 13,75% ao ano, o Tesouro Selic rende aproximadamente essa taxa ao ano (mais um pequeno spread do título) — antes do IR e da custódia.

Uma das principais características é a baixa volatilidade em comparação com os demais títulos do Tesouro Direto. Há liquidez diária, mas o resgate antecipado ocorre pelo preço de mercado: a oscilação costuma ser pequena, mas existe, e o retorno pode variar. Por isso, o Tesouro Selic é frequentemente considerado em estratégias de reserva de emergência e objetivos de curto prazo.

2. Tesouro IPCA+ — retorno real contratado sobre a inflação

O Tesouro IPCA+ paga a variação do IPCA (o índice oficial de inflação no Brasil) mais uma taxa prefixada. Por exemplo, um Tesouro IPCA+ com taxa de 8,04% (valor hipotético) paga IPCA + 8,04% ao ano — calculado de forma multiplicativa, não por soma simples. Se a inflação for 4% no ano, o título rende aproximadamente 12,36% bruto: (1,04 × 1,0804) − 1 = 12,36%. Se a inflação subir para 7%, o título rende aproximadamente 15,60% bruto: (1,07 × 1,0804) − 1 = 15,60%.

Se o título for mantido até o vencimento, ele paga a inflação mais a taxa real contratada: um retorno real bruto definido na compra. Isso não garante ganho real líquido: o Imposto de Renda, a taxa de custódia e a venda antecipada (a preço de mercado) reduzem ou alteram o resultado. É um título frequentemente considerado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, educação dos filhos ou compra de imóvel em 10 ou 20 anos.

O ponto de atenção: o preço do Tesouro IPCA+ oscila antes do vencimento. Se você precisar resgatar antecipadamente em um momento em que as taxas de mercado subiram, pode receber menos do que investiu. Se carregar até o vencimento, receberá a taxa contratada (bruta, antes de IR e custódia). Por isso, só invista aqui o dinheiro que você tem certeza de que não vai precisar antes do prazo.

3. Tesouro Prefixado — taxa fixa contratada na compra

O Tesouro Prefixado contrata uma taxa fixa no momento da compra. Se você comprar um título que paga 12% ao ano e o levar até o vencimento, vai receber essa taxa bruta — independentemente de para onde a Selic vai.

Isso pode ser vantajoso se os juros caírem: se a Selic recua de 12% para 8% nos próximos anos, quem comprou o Prefixado a 12% continua recebendo 12%, enquanto quem está no Selic vai render menos. O risco é o oposto: se a Selic subir, o Prefixado pode parecer desvantajoso. Além disso, o preço oscila antes do vencimento, como no IPCA+. Ninguém sabe ao certo para onde os juros vão, e por isso este título exige atenção ao prazo.

Comparativo dos três títulos

Característica Tesouro Selic Tesouro IPCA+ Prefixado
Rendimento Varia com a Selic IPCA + taxa fixa Taxa fixa
Venda antes do vencimento Possível, ao preço de mercado Possível, ao preço de mercado Possível, ao preço de mercado
Preço oscila antes do venc. Costuma oscilar pouco Pode oscilar bastante Pode oscilar bastante
Relação com a inflação Não é indexado ao IPCA Retorno real bruto contratado, se mantido até o vencimento Não é indexado (taxa nominal fixa)
Frequentemente considerado para Reserva de emergência e curto prazo Objetivos de longo prazo Quem aceita oscilação e quer taxa fixa
Como a taxa é definida Selic (meta do Copom) + spread IPCA + taxa real contratada na compra Taxa nominal fixa contratada na compra

As taxas dos títulos mudam todos os dias. Verifique os valores atuais no site do Tesouro Direto.

O que é marcação a mercado?

Marcação a mercado é o processo pelo qual o preço diário de um título reflete as condições atuais do mercado — não apenas a taxa original contratada. Isso vale para todos os títulos vendidos antes do vencimento: costuma ser mais forte no IPCA+ e no Prefixado e mais leve no Tesouro Selic, mas nenhum está livre do mecanismo.

A lógica é a seguinte: se você comprou um Prefixado a 12% ao ano e as taxas de mercado sobem para 14%, seu título passa a valer menos no mercado secundário — porque ninguém pagaria o preço original por um título que rende 12% quando tem disponível um que paga 14%. O inverso também vale: se as taxas caem, seu título valoriza.

Por isso a regra de ouro: se for investir em IPCA+ ou Prefixado, planeje carregar até o vencimento. Assim você evita o efeito da marcação a mercado e recebe a taxa contratada no dia da compra (bruta, antes do Imposto de Renda e da custódia).

Imposto de Renda no Tesouro Direto

O IR incide apenas sobre os rendimentos (não sobre o capital investido) com tabela regressiva:

Até 180 dias 22,5%
181 a 360 dias 20,0%
361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15,0% (mínima)

Quem investe por mais de 2 anos paga a menor alíquota possível: 15%. Isso, somado ao efeito dos juros compostos, faz do longo prazo a estratégia mais eficiente para o Tesouro Direto.

Como comprar Tesouro Direto passo a passo

  1. Abra uma conta em uma corretora habilitada para o Tesouro Direto. Compare as taxas de cada corretora (muitas não cobram taxa própria de custódia; a B3 cobra a sua).
  2. Complete o cadastro com seus dados pessoais, CPF e comprovante de renda. O processo é 100% online e leva menos de 10 minutos.
  3. Transfira o valor que deseja investir para a conta da corretora via PIX ou TED.
  4. Acesse a área de Tesouro Direto no aplicativo ou site e escolha o título que faz sentido para o seu objetivo.
  5. Confirme a compra. Você pode comprar a partir de 1% do valor de um título (o mínimo em reais aparece no site). Pelas regras do Tesouro Direto, pedidos feitos em dia útil até as 18h são liquidados a partir das 18h do dia útil seguinte; pedidos depois das 18h, em fins de semana ou feriados, a partir das 18h do segundo dia útil.

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Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Direto?

Não há um valor mínimo fixo em reais: a regra do Tesouro Direto é comprar pelo menos 1% de um título (0,01 título). Como cada título tem um preço diferente, o mínimo em reais muda de um para outro e aparece no site do Tesouro Direto e no aplicativo da corretora, na hora da compra. Na prática, dá para começar com poucas dezenas de reais.

Se eu investir R$ 30 no Tesouro Selic, quanto rende? Com a Selic em 13,75% ao ano, R$ 30 viram cerca de R$ 33,40 em 12 meses, já descontado o IR (R$ 3,40 de rendimento). É pouco em reais, mas a porcentagem é a mesma de um valor maior: o que muda o resultado é o valor aplicado e o tempo. Para ver valores maiores, leia quanto rendem R$ 1.000 no Tesouro Direto ou use o simulador Quanto Rende.

Gráfico de barras: valor líquido de R$ 1.000 no Tesouro Selic ao longo do tempo: Hoje: R$ 1.000,00; 1 ano: R$ 1.113,44; 2 anos: R$ 1.249,82; 3 anos: R$ 1.401,05; 4 anos: R$ 1.573,06; 5 anos: R$ 1.768,74.
Valor líquido (já sem IR) de R$ 1.000 no Tesouro Selic, com a Selic atual constante.

Por qual título começar?

Para quem está começando, o Tesouro Selic costuma ser um dos títulos mais simples de entender. Ele tem liquidez diária e baixa volatilidade em relação aos demais títulos públicos, embora o resgate antecipado seja feito a preço de mercado. Essas características fazem com que seja frequentemente considerado para a reserva de emergência e para objetivos de curto prazo.

Depois de montar a reserva, o próximo passo natural é o Tesouro IPCA+ para objetivos de longo prazo. O retorno real contratado é um atrativo para prazos longos, com as ressalvas de Imposto de Renda, custódia e oscilação em vendas antecipadas.

O Tesouro Prefixado faz sentido para quem tem um horizonte de tempo bem definido e acredita que os juros vão cair. Não é a primeira opção para quem está começando, mas é um complemento útil para carteiras mais diversificadas.

Perguntas frequentes

Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Direto? +

Desde novembro de 2024 não há mais valor mínimo fixo em reais (antes era R$30): você compra pelo menos 1% do valor de um título, sem precisar pagar o valor cheio (que pode ser de milhares de reais). O mínimo em reais varia por título e aparece no site do Tesouro Direto.

O Tesouro Direto é mais seguro do que a poupança? +

Em risco de crédito, o Tesouro Direto é considerado o de menor risco do país (emissor: Governo Federal), e a poupança tem cobertura do FGC até R$250.000 por CPF por instituição. Nenhum dos dois elimina todos os riscos: no Tesouro, vender antes do vencimento pode gerar perda pelo preço de mercado. Em termos de rendimento, com a Selic alta o Tesouro Selic tende a render mais que a poupança; a diferença varia com as taxas e o IR.

Posso resgatar o Tesouro Direto quando quiser? +

Em geral, sim: a maioria dos títulos pode ser vendida em dias úteis, em horários de funcionamento, pelo preço de mercado do dia (Educa+ e RendA+ têm regras próprias). No Tesouro IPCA+ e no Prefixado, esse preço pode ser menor do que o que você pagou. No Tesouro Selic a oscilação costuma ser menor, mas o mecanismo existe e o resgate antecipado não é garantido sem perda.

Fontes oficiais consultadas

Como este conteúdo foi produzido: escrito e revisado pela equipe do FerramentasDeInvestimento.com.br, com regras conferidas em fontes oficiais e, quando há cálculos, números gerados pelas mesmas funções testadas das nossas calculadoras. Viu algum erro? Fale com a gente. Saiba mais na Política Editorial.

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