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Relatar um erro por e-mailSe você já viu o preço do seu Tesouro Prefixado cair depois que a Selic subiu, deve ter estranhado — afinal, juros mais altos não deveriam ser bons para quem investe? Neste artigo, a explicação simples de por que isso acontece, com números reais.
Quando você compra um Tesouro Prefixado, está comprando o direito de receber um valor fixo em uma data futura — geralmente R$1.000 por título, na data de vencimento. A taxa contratada na compra (por exemplo, 12% ao ano) é o que determina quanto você paga hoje por esse valor futuro fixo.
O detalhe importante: o valor futuro nunca muda. O que muda, todos os dias, é o preço que o mercado está disposto a pagar hoje por esse direito — e é esse preço que sobe e desce no seu extrato do Tesouro Direto.
O preço de um Tesouro Prefixado é calculado descontando o valor de face (R$1.000) pela taxa de juros vigente no mercado, pelo tempo que falta até o vencimento:
Preço = Valor de Face ÷ (1 + taxa) anos até o vencimento
Repare que a taxa está dividindo, não multiplicando. É essa posição na fórmula que cria a relação inversa: quanto maior a taxa usada para descontar, menor o resultado da divisão — ou seja, menor o preço hoje.
Imagine quatro títulos idênticos — todos pagam R$1.000 daqui a 5 anos. A única diferença é a taxa de juros do mercado no momento em que calculamos o preço de cada um:
| Taxa de juros | Preço hoje | O que aconteceu |
|---|---|---|
| 9% ao ano | R$ 649,93 | Taxa mais baixa → preço mais alto |
| 12% ao ano | R$ 567,43 | Referência |
| 15% ao ano | R$ 497,18 | Taxa mais alta → preço mais baixo |
| 18% ao ano | R$ 437,11 | Taxa ainda mais alta → preço ainda mais baixo |
Valores arredondados. Título fictício de R$1.000 de valor de face, vencimento em 5 anos.
Pense assim: você tem um contrato que promete pagar R$1.000 daqui a 5 anos, travado a uma taxa de 12% ao ano. De repente, o governo passa a oferecer novos títulos pagando 15% ao ano para o mesmo prazo.
Ninguém vai querer comprar o seu contrato de 12% pagando o preço cheio, porque agora existe uma opção melhor no mercado. Para o seu título ficar competitivo, o preço dele precisa cair — assim, quem comprar de você a um preço menor ainda consegue um retorno equivalente aos novos 15% até o vencimento.
É o mesmo raciocínio de qualquer ativo com pagamento fixo no futuro: quando os juros do mercado sobem, o preço desses ativos cai para se ajustar à nova realidade — e vice-versa.
✦ Veja na prática
Compare Tesouro Selic, IPCA+ e Prefixado lado a lado, com desconto de Imposto de Renda calculado automaticamente.
Abrir o simulador →Essa oscilação de preço — chamada de marcação a mercado — só importa se você resgatar ou vender o título antes do vencimento. Se as taxas subirem depois da sua compra e você precisar vender, pode receber menos do que pagou.
Mas se você mantiver o título até a data de vencimento, nada disso importa: você recebe exatamente o valor de face combinado (R$1.000 por título, no nosso exemplo), na taxa que travou no dia da compra — independentemente de quantas vezes o preço subiu ou desceu no meio do caminho.
Por isso a regra de ouro para o Tesouro Prefixado: só invista o dinheiro que você não vai precisar antes do vencimento. Assim, as oscilações de preço no meio do caminho deixam de ser um risco.
Porque o valor pago no vencimento é fixo. Quando a taxa de mercado sobe, esse valor futuro fixo passa a valer menos hoje — é descontado a uma taxa maior. Quando a taxa cai, o mesmo pagamento futuro fixo vale mais hoje, e o preço sobe.
Não. Carregando o título até a data de vencimento, você recebe exatamente o valor de face combinado, não importa quanto o preço oscilou no meio do caminho. A variação só importa para quem vende ou resgata antes.
Sim, o mecanismo existe, mas o efeito costuma ser bem menor. O Tesouro Selic é pós-fixado e acompanha a Selic, então seu preço tende a oscilar pouco; ainda assim, ele também é marcado a mercado, e vender antes do vencimento pode render um pouco menos (ou mais) que o esperado. O efeito é mais forte no Prefixado e no Tesouro IPCA+.
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