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Copom corta a Selic para 13,75%: o que muda para você

Resposta curta: em 16/09/2026, o Copom baixou a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual. Para quem investe, a mudança é pequena: R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI rendem cerca de R$ 17,19 a menos por mês. A poupança não muda.

Selic em vigor hoje: 13,75% ao ano, desde 17/09/2026. A próxima decisão sai em 4 de novembro de 2026.

O que o Copom decidiu

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) se reúne a cada seis semanas para definir a meta da Selic, a taxa básica de juros da economia. Na 281ª reunião, encerrada em 16/09/2026, os sete membros votaram por unanimidade por reduzir a taxa de 14,00% para 13,75% ao ano. A nova taxa vale desde 17/09/2026.

Foi o 5º corte seguido de 0,25 ponto percentual. A Selic ficou em 15,00% por 3 reuniões até o primeiro corte, em 18/03/2026. Desde então, a queda acumulada é de 1,25 ponto percentual.

Histórico das últimas decisões do Copom
ReuniãoDataSelic decididaMudança
274ª 05/11/2025 15,00% —
275ª 10/12/2025 15,00% manteve
276ª 28/01/2026 15,00% manteve
277ª 18/03/2026 14,75% − 0,25 ponto percentual
278ª 29/04/2026 14,50% − 0,25 ponto percentual
279ª 17/06/2026 14,25% − 0,25 ponto percentual
280ª 05/08/2026 14,00% − 0,25 ponto percentual
281ª 16/09/2026 13,75% − 0,25 ponto percentual

Fonte: comunicados do Copom, Banco Central do Brasil.

Por que o Copom cortou, e com que cautela

Segundo o comunicado, a inflação desacelerou, mas continua acima da meta de 3% ao ano. A atividade econômica mostra moderação gradual, e o mercado de trabalho segue aquecido. No exterior, o Comitê citou os conflitos no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária de outros países.

O tom foi de cautela. O Comitê avaliou que os riscos para a inflação estão acima do normal, com "assimetria altista" (mais chance de a inflação surpreender para cima do que para baixo), e não se comprometeu com novos cortes: disse que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações.

As projeções de inflação (IPCA) do cenário de referência do Banco Central, publicadas com a decisão:

PeríodoProjeção do CopomExpectativa do mercado (Focus)
2026 5,2% 4,9%
2027 3,9% 4,3%
1º tri/2028 3,2% —

IPCA acumulado em quatro trimestres. O 1º trimestre de 2028 é o horizonte que o Copom usa como referência para as decisões atuais. A banda de tolerância da meta vai de 1,5% a 4,5%.

O que muda nos seus investimentos, em reais

Aplicações pós-fixadas (Tesouro Selic, CDB, LCI e LCA atrelados ao CDI) acompanham a Selic: quando ela cai, o rendimento cai junto, a partir do dia em que a taxa nova passa a valer. A conta abaixo compara 12 meses com a Selic constante em 14,00% e em 13,75%, já descontados o Imposto de Renda e a custódia:

R$ 100 mil por 12 mesesSelic 14,00%Selic 13,75%Diferença no ano
Poupança R$ 8.344,88 R$ 8.344,88 sem mudança
Tesouro Selic R$ 11.356,00 R$ 11.150,00 − R$ 206,00
CDB 100% do CDI R$ 11.467,50 R$ 11.261,25 − R$ 206,25
LCI/LCA 90% do CDI R$ 12.427,53 R$ 12.205,40 − R$ 222,13

Valores são o ganho líquido (rendimento, sem o valor aplicado). CDI = Selic − 0,10 ponto. IR de 17,5% (361 a 720 dias) no Tesouro e no CDB; LCI e LCA isentas para pessoa física; custódia do Tesouro sobre o que passa de R$ 10 mil.

Em números redondos: o corte tira cerca de R$ 17,19 por mês de quem tem R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI, e R$ 1,72 de quem tem R$ 10 mil. A LCI perde um pouco mais em reais (R$ 222,13 no ano) porque, sem IR, todo o rendimento a menos sai do seu bolso; no CDB, parte da perda seria imposto. O Tesouro Selic fica praticamente igual ao CDB (R$ 206,00 a menos).

Somando o ciclo inteiro, o efeito já não é tão pequeno. Com a Selic a 15,00%, R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI rendiam cerca de R$ 1.024,38 líquidos por mês; com 13,75%, são R$ 938,44: R$ 85,94 a menos por mês.

Gráfico de barras: rendimento líquido médio por mês de R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI, em 12 meses, com a Selic de cada etapa do ciclo de 2026: Selic 15,00%: R$ 1.024,38; Selic 14,75%: R$ 1.007,19; Selic 14,50%: R$ 990,00; Selic 14,25%: R$ 972,81; Selic 14,00%: R$ 955,63; Selic 13,75%: R$ 938,44.
Rendimento líquido médio por mês de R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI, em 12 meses, com a Selic de cada etapa do ciclo de 2026.

Para ver quanto rende o seu valor com a Selic em vigor, veja Quanto rende R$ 10 mil e Quanto rende R$ 100 mil por mês, ou refaça a conta no Comparador CDB x LCI/LCA.

Poupança: nada muda (por enquanto)

A poupança tem regra própria: enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, rende 0,5% ao mês mais a TR. Com a Selic em 13,75%, ainda faltam 5,25 pontos percentualis de cortes até esse limite, então o rendimento da poupança não muda com esta decisão. Mesmo assim, ela continua rendendo menos que as outras opções da tabela: veja como sair da poupança e quanto a poupança ganhou ou perdeu da inflação desde 2020.

Prefixados e Tesouro IPCA+

Nos títulos prefixados e no Tesouro IPCA+, a taxa é travada na compra, e quem leva até o vencimento recebe o que foi combinado, com ou sem cortes da Selic. O que muda é o preço do título antes do vencimento: quando as taxas de mercado caem, o preço dos títulos já comprados sobe; quando sobem, o preço cai. É a chamada marcação a mercado.

Essas taxas de mercado se movem mais pela expectativa sobre as próximas decisões do que pela decisão do dia, que em geral já era esperada. O mecanismo está explicado em por que o preço do Tesouro Prefixado cai quando a taxa de juros sobe, e você pode comparar os três títulos no Simulador Tesouro Direto.

E os juros de empréstimos e financiamentos?

A Selic influencia o custo do dinheiro para os bancos, mas as taxas cobradas nos empréstimos também dependem do risco, do prazo e da concorrência, e costumam cair devagar. Contratos já assinados com taxa prefixada não mudam. Antes de contratar ou renegociar, compare o custo total (CET) das propostas na Calculadora de Empréstimo.

Próximas reuniões do Copom em 2026

  • 3 e 4 de novembro: decisão em 4 de novembro de 2026, depois das 18h.
  • 8 e 9 de dezembro: decisão em 9 de dezembro de 2026, depois das 18h.

Para entender como a Selic se relaciona com o CDI e com a inflação, leia Selic, CDI e IPCA: o que significam para o investidor.

Resumo: o que guardar deste artigo

  • Em 16/09/2026, o Copom cortou a Selic de 14,00% para 13,75%, por unanimidade: o 5º corte seguido.
  • O comunicado não promete novos cortes e vê riscos de inflação acima do normal.
  • Pós-fixados rendem um pouco menos: cerca de R$ 17,19 por mês a menos para cada R$ 100 mil num CDB de 100% do CDI.
  • A poupança não muda enquanto a Selic estiver acima de 8,5%.
  • Prefixados e IPCA+ mantêm a taxa contratada até o vencimento; o preço antes disso oscila.

Perguntas frequentes

Qual é a Selic depois da reunião do Copom de 16/09/2026?

O Copom reduziu a meta da Selic de 14,00% para 13,75% ao ano, por unanimidade, em 16/09/2026. A nova taxa vale desde 17/09/2026.

O corte da Selic faz a poupança render menos?

Não. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR, e isso não depende do nível exato da Selic. Com 13,75%, a Selic ainda está 5,25 pontos percentualis acima do limite de 8,5%.

Quanto um CDB passa a render menos com o corte?

Pouco: num CDB de 100% do CDI, R$ 100 mil rendiam R$ 11.467,50 líquidos em 12 meses com a Selic a 14,00%; com 13,75%, rendem R$ 11.261,25. São R$ 206,25 a menos no ano, cerca de R$ 17,19 por mês.

Quando é a próxima reunião do Copom?

As próximas reuniões de 2026 são em 3 e 4 de novembro e em 8 e 9 de dezembro. A decisão sai no segundo dia, depois das 18h.

O Copom vai continuar cortando a Selic?

O comunicado não promete novos cortes. O Comitê disse que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações e que os riscos para a inflação continuam altos, com mais chance de a inflação surpreender para cima.

Conteúdo educativo. Este artigo não constitui recomendação de investimento. As simulações supõem a Selic constante por 12 meses, o que dificilmente acontece, e servem para dar a escala da mudança.

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Veja quanto o seu dinheiro rende com a Selic em vigor, no Tesouro Selic, IPCA+ ou Prefixado.

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Fontes oficiais consultadas

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